25/10/2005
Leandro CoutinhoDa editoria de MeubairroNeste último domingo, moradores de dois bairros goianienses se mobilizaram para movimentar a vida cultural de seus espaços. Na Vila Bandeirante, o V Manifesto Cultural do Centro Popular de Cultura levou música, poesia e teatro ao palco. Toda a organização e apresentação ficaram por conta da comunidade, que entrou em cena para mostrar sua arte. No Setor Pedro Ludovico, crianças e adultos foram ao cinema no meio da Avenida Henrique Silva. O projeto Curta Mostra Cinema nos Bairros montou uma grande estrutura de exibição cinematográfica e apresentou sete filmes sem cobrar ingresso. No meio da rua, mais de 500 pessoas assistiram a sete curtas.A lactarista Keyla Cristina de Oliveira e suas duas filhas levaram cadeiras para a calçada de sua casa e, pronto: estavam no cinema. Dali mesmo ficaram atentas à telona instalada em sua rua, a Avenida Henrique Silva. “Eu conhecia o trabalho desse pessoal por causa da teatro que teve aqui”, conta. Ela se refere à Oficina Cultural Geppetto, que realizou duas edições de apresentações culturais no espaço que está ficando conhecido como Ilha da Galhofa, em alusão ao manifesto da Galhofada, que ocorre nos meses de junho. O fundador da entidade, professor Marcos Lotufo, foi convidado pela organização do Goiânia Mostra Curtas, o Instituto de Cultura e Meio Ambiente (Icumam), a mobilizar a comunidade de seu bairro para receber as telonas. A aceitação foi imediata. No sábado, um dia antes, já tinha criança do bairro ajudando a descarregar os caminhões que traziam os equipamentos.“Essa foi uma escolha feliz, o Setor Pedro foi o primeiro bairro em que passamos que é mais centralizado, mas, apesar disso, têm moradores que têm dificuldade de acesso ao cinema”, diz a presidenta do Icumam e assistente social Maria Abdalla. Ela explica que os principais objetivos do Goiânia Mostra Curtas são incentivar a diversidade da produção audiovisual e democratizar o acesso à telona. Naquela noite, as de 500 cadeiras que as crianças ajudaram a colocar na Ilha da Galhofa estavam ocupadas. Pessoas assistiam em pé e outras levaram seus próprios assentos. “Há dez anos eu não vou ao cinema e aqui eu posso assistir de graça e ao ar livre”, afirma a diarista Gracina Pereira dos Santos. Seu filho, Lucas, só tinha visto a telona em duas outras oportunidades.O estudante Raul Vinícius dos Santos assistiu à Galhofada em junho e, quando viu a telona sendo instalada na manhã de domingo, chamou seus amigos. Ao lado de Valmir Ferreira assistia de pé atento ao filme Êxito D’Rua, sobre grafitagem e música. “A gente gosta muito de hip hop”, diz. A doméstica Nilma Ribeiro da Silva também acompanha sempre às atividades, mas prefere “o filme do xadrez”.TEATRO – Na Vila Bandeirante, a comunidade criou seu próprio grupo de teatro como forma de movimentar a vida cultural da região, oferecer opções de lazer à população e incentivar a formação de crianças e adolescentes. Um projeto de Enio Brito de Sá foi aprovado em 2004 pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Desde dezembro do ano passado, recebe principalmente crianças da região para participar das aulas de música e teatro. A estudante de 6ª série Binair Raianne Morais Lima pretende ser atriz profissional. Há três meses descobriu que perto de sua casa tinha como dar início ao sonho. “Desde os oito eu quero ser atriz. Agora já estou aprendendo e perdendo o nervosismo”, diz.Matérias Relacionadas EntretenimentoDomingo é dia de cultura Visitas às escolas e apoio dos pais Curta-metragens Inscrições e títulos exibidos